A L Catterton assumiu a liderança de um investimento substancial de aproximadamente US$ 180 milhões na Scanntech, companhia tecnológica especializada no monitoramento em tempo real de vendas em supermercados. A transação histórica foi assinada após cerca de um ano de negociações intensas e consolida um dos movimentos mais relevantes do setor no atual cenário econômico.
Além da L Catterton, a nova rodada financeira conta com a participação de peso do Partners Group e do Bradesco. A operação estruturada combina a injeção de capital direto na companhia e a alienação de fatias por acionistas atuais, dividindo-se de maneira equilibrada em uma proporção aproximada de 50% para a parcela primária e 50% para a secundária. O negócio avalia a empresa a um valuation equivalente a cerca de 5,5 vezes a sua receita anual, garantindo aos novos acionistas uma participação próxima de 30% na sociedade.
O aporte marca também uma realização parcial por parte da Warburg Pincus, gestora que havia injetado US$ 40 milhões na Scanntech em 2023 e que agora opta por liquidar parte de sua posição. De acordo com fontes próximas ao negócio, a gestora decidiu realizar lucros parciais ao mesmo tempo em que renova sua aposta no potencial de valorização futura da empresa. Ao longo dos últimos meses, o processo de captação atraiu o interesse de outros gigantes globais de private equity, a exemplo de General Atlantic, GIC e Advent.
Especialistas apontam que o volume e a relevância do cheque chamam atenção em meio ao contexto adverso do mercado, marcado pela escassez de ofertas públicas iniciais (IPOs) e por maiores dificuldades de desinvestimento no setor de tecnologia, fatores que tornam os fundos consideravelmente mais cautelosos. No caso da Scanntech, a combinação estratégica de crescimento acelerado e rentabilidade sólida, somada à perspectiva de uma futura venda estratégica ou abertura de capital, foi determinante para atrair o capital institucional. Atualmente, a empresa registra uma taxa de crescimento anual na casa dos 30%.
Com os novos recursos injetados, a companhia planeja impulsionar sua expansão internacional. Além de sua forte presença consolidada no Brasil, no México e na Colômbia, a Scanntech já projeta ingressar em novos mercados geográficos a partir do próximo ano, avaliando oportunidades tanto em outras nações da América Latina quanto em regiões fora do continente. O fundador Raúl Polakof permanece firme no comando, liderando as operações e a estratégia de crescimento.
A operação e a tecnologia da Scanntech desempenham um papel vital na cadeia de suprimentos e no comércio varejista, processando anualmente mais de R$ 1 trilhão em vendas. A empresa captura transações diretamente nos caixas dos supermercados, convertendo esses dados brutos em inteligência comercial refinada para indústrias e varejistas. A ferramenta viabiliza o acompanhamento rigoroso do sell-out — as vendas efetivamente consumidas pelo cliente final —, fornecendo métricas detalhadas sobre precificação, volume comercializado, participação de mercado e a real eficácia de campanhas promocionais. Tais informações auxiliam grandes fabricantes de bens de consumo, alimentos e bebidas a otimizar estoques, definir preços competitivos e aprimorar suas estratégias mercadológicas.
A trajetória da Scanntech remonta a 1992, no Uruguai, quando os empreendedores Raúl Polakof, Benny Szylkowski e Soledad Fernández criaram um software pioneiro capaz de transformar computadores convencionais em caixas registradoras para pequenos comerciantes. A inovação permitiu que pequenos mercadinhos oferecessem serviços financeiros e promoções antes restritos a grandes redes varejistas. A expansão para o Brasil ocorreu em 2013, país que rapidamente se consolidou como o principal mercado da organização.
O modelo de negócio inovador atraiu historicamente grandes fundos globais. A Sequoia Capital, por exemplo, elegeu a Scanntech para realizar seu primeiro investimento na América Latina, aportando US$ 10 milhões em 2011 e reforçando o capital em 2014, antes de realizar sua saída definitiva. Outro parceiro de longa data é a Hindiana, veículo de investimentos de Alfredo Villela, que já integrava o quadro societário antes da entrada da Warburg e seguirá como acionista após a nova rodada. A assessoria financeira da transação ficou a cargo do JP Morgan.
Fonte original: Brazil Journal