Economia

Priner planeja captação de até R$ 220 milhões para impulsionar expansão no setor de mineração

Priner planeja captação de até R$ 220 milhões para impulsionar expansão no setor de mineração

A Priner anunciou ao mercado a realização de um aumento de capital que pode alcançar o montante de até R$ 220 milhões. O movimento estratégico tem como objetivo principal preparar a companhia para uma nova fase de expansão no segmento de operações minerárias, apontado atualmente como a área de maior dinamismo e crescimento dentro da organização.

A operação financeira será estruturada exclusivamente com foco na base atual de acionistas da empresa de serviços industriais e de mineração. Os investidores atuais contarão com o direito de preferência para a subscrição das novas ações. Na hipótese de os acionistas não exercerem a totalidade de seus direitos, as eventuais sobras serão ofertadas e comercializadas no mercado.

Em termos de valores, o aumento de capital está estruturado para ser de no mínimo R$ 100 milhões — patamar atingido caso 45% da base decida subscrever —, podendo atingir o teto de R$ 220 milhões se a totalidade dos acionistas exercer o direito de preferência. Atualmente, a composição acionária da Priner conta com a Absolute e a Alpha Key detendo 14% do capital social cada, enquanto a Leblon Equities, investidora histórica da companhia, possui 8%. O valor de mercado da Priner na Bolsa é de R$ 1,2 bilhão, com suas ações acumulando alta de 37% nos últimos doze meses e uma disparada de quase 13% nos últimos cinco dias, acompanhando o movimento positivo do mercado.

De acordo com declarações do CFO Taryn Silvestre, a companhia tem expandido expressivamente sua atuação no setor de mineração. Neste modelo de negócio, a Priner assume a operação integral das minas para as mineradoras, o que engloba atividades cruciais como perfuração e transporte do minério, demandando pesados investimentos tanto em maquinário quanto em capital de giro.

Paralelamente ao anúncio da captação, a companhia reportou um incremento expressivo em seu backlog de novos contratos, que cresceu em R$ 1,8 bilhão. Deste total, R$ 1,5 bilhão são provenientes exclusivamente das operações minerárias, elevando o backlog total da empresa para o patamar de R$ 5 bilhões. Os novos contratos firmados no setor de mineração possuem vigência de cinco anos, gerando uma adição de receita anual de R$ 300 milhões para a companhia.

Detalhamento dos investimentos e do pipeline comercial:

  • Capital e Investimento Direto: A empresa informou que já dispõe do capital necessário para os R$ 1,5 bilhão do novo backlog. Destes, a Priner precisará direcionar R$ 250 milhões em capex — voltados para a aquisição de ativos como caminhões, escavadeiras e perfuratrizes — e outros R$ 50 milhões destinados ao capital de giro.
  • Pipeline e Prospecção: O executivo destacou que existe um pipeline comercial em prospecção no segmento que gira em torno de R$ 20 bilhões. O propósito do aumento de capital é justamente injetar equity para sustentar o crescimento futuro.
  • Capacidade de Alavancagem: Caso a empresa obtenha o sucesso de captar os R$ 220 milhões integrais na operação, estará estruturalmente apta a absorver e atender mais R$ 3 bilhões em novos contratos, considerando uma alavancagem conservadora de 2x, o que representaria um adicional de R$ 440 milhões em dívidas.
  • Conversão Histórica: A meta de atingir R$ 3 bilhões em novos contratos é considerada viável pela diretoria com base na taxa de conversão histórica. No ano corrente, por exemplo, 15% do pipeline comercial converteu-se efetivamente em contratos assinados.

A história recente da Priner demonstra a consolidação dessa estratégia. Nascida em 2012 como um spinoff da Mills e abrindo seu capital em um IPO realizado em 2020, a empresa ingressou de fato no segmento de operações minerárias no ano passado, após concretizar a aquisição de 60% da Semep.

Atualmente, a vertical de operações minerárias já representa 20% da receita total da companhia, cuja projeção de faturamento gira em torno de R$ 2 bilhões para o ano. O restante da receita corporativa distribui-se entre outros serviços voltados à mineração, como geotecnia e montagem de plantas industriais (30%), serviços de inspeção (10%), além da tradicional atividade de aluguel de andaimes e serviços industriais correlatos (40%).


Fonte original: Brazil Journal