Os acionistas da Copasa oficializaram a eleição de um novo conselho de administração e de uma nova diretoria executiva, consolidando de vez a mudança de comando na companhia de saneamento. A reestruturação societária ocorre na sequência do processo de privatização da empresa conduzido pelo Governo de Minas Gerais e concluído no mês de junho.
As articulações para a escolha dos novos nomes foram conduzidas principalmente pela Equatorial Energia — que assumiu o posto de investidora de referência após deter 30% das ações — e pela gestora Perfin, que expandiu sua participação para 20% durante a desestatização, conforme apurado junto a fontes próximas às negociações.
O Governo mineiro, que manteve uma fatia de 5% na empresa e detém uma golden share assegurando-lhe assento no colegiado, optou por preservar no grupo o ex-secretário da Fazenda, Gustavo Barbosa, que vinha atuando como chairman.
Por sua parte, a Equatorial indicou Tinn Amado para assumir a presidência do conselho (chairman), consolidando sua representação que já atua nos boards da Sabesp e da Echoenergia. A mesma corporação também designou o vice-presidente do conselho, cargo que será ocupado por seu CFO, Leonardo Tavares de Lima, além de nomear como terceiro conselheiro Felipe Dutra, analista da Squadra Investimentos e acionista histórico da Equatorial.
A Perfin, em consonância com as demais movimentações, endossou a permanência de José Formoso como conselheiro independente. Formoso é ex-executivo da Claro e recentemente assumiu a operação brasileira do grupo mexicano de aeroportos ASUR. Adicionalmente, a gestora indicou seu sócio-fundador e CIO Ralph Rosenberg e o head de research Gustavo Miranda para ocuparem cadeiras de conselheiros independentes.
Completando a composição de conselheiros independentes apontados pela Equatorial, foram eleitos Denis Jungerman, ex-banqueiro de investimentos do Credit Suisse e atual CIO da Jubarte Capital, e Bruno Silva, ex-sócio e analista da Squadra com atuação nos setores de metais, mineração, saúde e telecomunicações.
A assembleia de votação contou ainda com a participação do BNDESPar e de fundos geridos por instituições como Absoluto Partners, Guepardo, Ibiúna e Opportunity.
Para a liderança da diretoria executiva, o conselho aprovou o nome de Augusto Dantas como CEO. O executivo acumula mais de 18 anos de trajetória no grupo Equatorial e estava à frente das operações de energia e saneamento no Amapá (CEA e CSA). Foram mantidos na gestão o CFO Adriano Rudek de Moura (com passagem prévia pela Copel durante a privatização da elétrica paranaense) e o diretor comercial Cleyson Jacomini.
A nova estrutura diretiva também integrou Marília Melo, ex-diretora-presidente da Copasa, como diretora de relações institucionais e sustentabilidade, ao passo que a diretoria de operações ficou sob a responsabilidade de Herbert Arnaud Dantas.
Em paralelo às mudanças na governança, a Copasa comunicou a rescisão formal do acordo de acionistas estabelecido com o Governo estadual antes da privatização. O pacto anterior conferia ao Estado o poder de veto sobre decisões referentes ao programa de investimentos e a alterações na política de dividendos.
O acordo havia sido estruturado de modo que, em contrapartida ao seu encerramento, o Estado recebesse uma indenização calculada por meio de uma fórmula destinada a capturar eventuais discrepâncias de preços entre as ofertas de ações direcionadas ao investidor de referência e aquelas disponibilizadas ao mercado em geral. Como as ofertas foram precificadas com o mesmo valor por ação, a multa restou fixada no patamar mínimo de R$ 50 milhões.
Fonte original: Brazil Journal